19.6.10

O homem sério - Jiddu Krishnamurti

Pode acontecer que, nessa seriedade, um homem se torne egocêntrico; esse egocentrismo, de certo, o impedirá de examinar; mas o "homem sério" tem de prestar ouvidos aos outros, examinar, indagar constantemente; isso significa que ele deve ser altamente sensível. (…) Esse homem, pois, está sempre a escutar, a buscar, a investigar, a descobrir - com um cérebro sensível, uma mente sensível, um coração sensível - que não são coisas separadas; está a investigar com esse todo (…). (Idem, pág. 19)

A mente vulgar, superficial, pode também tornar-se mui "séria"; mas, quando se torna "séria", torna-se também algo absurda. Não sei se já notastes como as pessoas de mente vazia se mostram, freqüentemente, muito sérias. São muito loquazes, tomam ares importantes (…); entretanto, continua a ser uma mente muito pouco profunda. (Experimente um Novo Caminho, pág. 9)

E há, também, a mente muito lida, muito hábil no argumentar, no analisar, capaz de aduzir citações, extraídas de seu vasto reservatório de conhecimentos. Como muito bem sabeis, esse tipo de mente é solerte, incisiva, hábil, mas eu não a chamaria de mente séria, nem tampouco à mente superficial que quer mostrar-se séria. (…) (Idem, pág. 9-10)

Chamo séria à pessoa que está constantemente olhando, observando, atenta a si própria e a outros, observando seus próprios gestos, palavras, sua maneira de falar, (…) de andar; e que está também atenta às coisas que a cercam, às pressões, às tensões, à influência do ambiente, da "cultura" em que se criou, e à totalidade de seu próprio condicionamento. (…) Só essa mente é capaz de exame refletido, de dedicar sua energia a descobrir algo além das coisas construídas pelo homem - algo que se possa chamar Deus. (…) (Idem, pág. 10)

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